quem num lembra desse batente…

Dedé Monteiro e Zeto do Pajeú

De braúna foi feito esse batente
bem sentado no chão por um pedreiro
cada marca em seu corpo é um janeiro
que lhe deixa prum lado assim pendente
mesmo assim rijo, forte e resistente
se escalda nos dias do sertão
e o passado lhe traz recordação
dos trinados de esporas e chocalhos
que fizeram com o tempo esses mil talhos
no batente de pau do casarão

No batente da casa da fazenda
tropecei quando ainda era bem moço
esperei mãe trazer o meu almoço
vi Maria sentada a fazer renda
muita gente deixava uma encomenda
um menino batia o seu pião
pra ficar mais macio em sua mão
dava cortes profundos na madeira
tem até um buraco de pingueira
no batente de pau do casarão

Eu conheço a história de uma batente
que por mais de cem anos foi pisado
quando a casa caiu foi retirado
pra uma sombra que tinha assim na frente
e de assento serviu pra muita gente
esperar com a família o caminhão
quantos anos ficou ali no chão
esperando o amanhã com paciência
acho até que existe consciência
no batente de pau do casarão…

* Poema recolhido da comunidade de Dedé Monteiro no Orkut

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