Homenagem à Timbaúba

segue uns “garranchin”, de minha autoria em homenagem a minha terra, Timbaúba-PE.

lembro bem dessa cidade
que um dia foi maioral
foi a terra dos calçados
com chancela mundial
timbaúba dos mocós
a minha terra natal

timbaúba altaneira
já dizia o próprio hino
és a princesa serrana
que em meus tempos de menino
andava por todo canto
sem querer qualquer destino

de uma terra pacata
ainda resta alguma lembrança
jogar pião na calçada
quando ainda era criança
com a ponteira e a carrapeta
girava junto minha esperança

lá já teve de tudo
difícil de acreditar
vaca morando em casa
lobisome querendo assustar
um doido chamado cazuza
que andava a resmungar

quem lembra do teu carnaval
dos tempos de antigamente
fugia do tradicional
reinava a folia decente
com medo dos bois, eu corria
chorando pra porta da frente

lá vinha passando os toureiros
com seus trajes artesanais
ensaiavam um ano inteiro
e tudo era lindo demais
seu Fá era o porta estandarte
e o povo foliando atrás

tinha até o bloco das Virgens
onde só desfilava mulher
até a quenga Lú Pintada
a rainha do cabaré
mostrando pra todo macho
todo o encanto da mulher

saindo do carnaval
e entrando em religião
tem a praça joão pessoa
no centro da região
que traz em seus arredores
de engraxate à sacristão

padaria, farmácia, fiteiro
coxinha, sorvete e pipoca
pastel, pamonha e canjica
goma, beijú, tapioca
moça arrumando paquera
e as véias contando fofoca

lugar pra cortar cabelo
o melhor da região
uma sociedade que deu certo
dois cabras de profissão
é Mané e Zito barbeiro
sinônimo de tradição

tem a banca de Julio Alfredo
só ele que vende revista
tem a finada Dona Penha
que lá de cima bota a vista
pra brigar com os lisos
folheando suas revistas

tem um tal de João dos “Passo”
que vende os bichos dalí
viajante, gaiola e alçapão
que guarda os coitado “passim”
canário, codorna e cancão
coruja, pardal, bem-te-vi

ainda na dita praça
bem no centro da cidade
é lá que fica a igreja
que em minha mocidade
ajudei de coroinha
usando batina de padre

salve a sua padroeira
que é a virgem das dores
em todo 15 de setembro
vem trazendo em seus andores
esperança e devoção
e o colorido das flores

não poderia terminar
sem falar de Bebé
de nome Robério Guerra
com Cristina, sua mulher
tem uma venda na rua do sapo
vendendo pra quem quiser

tem fardo de carne de charque
queijo prato, coalho e manteiga
arroz, feijão, macarrão
bolacha da terra ou praiera
Zé guerra debulhando feijão
e nego Toin fedendo a cerveja

Timbaúba nunca te esqueças
desse teu filho natural
que desde noventa e sete
veio morar na capital
mas não esquece de tí um segundo
Timbaúba sensacional

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