Vivência no meu canto

Segue mais uma poesia de minha autoria.

a minha vida é perfeita
tudo que quero, Deus me dá
e do pouco que eu plantar
ganho o triplo na colheita
quando a roça é bem feita
e a semente tem qualidade
tem fartura em quantidade
tem comida pro meu povo
se um dia nascer de novo
não quero ir pra cidade

aqui tenho minha rede
tenho uma cama e um colchão
tenho carne, fava e feijão
água pra matar a sede
um sabiá na parede
tenho a minha liberdade
aqui não tenho saudade
não tem pranto no meu rosto
se um dia nascer de novo
não quero ir pra cidade

aqui tenho o que preciso
bebo água da quartinha
queimo a lenha na cozinha
faço o meu esconderijo
quando uma presa eu avisto
miro bem na sua metade
voa as penas, que maldade
esquento a caça no fogo
se um dia nascer de novo
não quero ir pra cidade

sou um caboco encantado
com as sextilhas que fez Xudú
com o gosto que tem o embú
com o cheiro de “mí” cozinhado
eu nunca quis ser formado
mas tenho escolaridade
sou poeta de verdade
me formei no “mei” do povo
se um dia nascer de novo
não quero ir pra cidade

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