Uma poesia caverno-macabro-ilária

sei que a vida é deveras passageira
e que Deus há de, um dia, me levar
sei que todo dinheiro que eu juntar
vou deixar pra alguém tomar de posse
mesmo que toda riqueza me conforte
não queria desse mundo escafeder
mas assim como um dia eu fui nascer
tem um dia que o céu vai dar um bote
EU NUNCA TIVE MEDO DA MORTE
APENAS MEDO DE DEIXAR DE VIVER.

pra provar que dá morte eu não tenho medo
fiz a planta da minha catatumba
projetei uma cova larga e funda
pra caber toda a minha longa história
desenhei uma lápide na memória
com a data do dia de eu morrer
mas o prazo só Deus há de saber
por enquanto, vou vivendo a minha sorte
EU NUNCA TIVE MEDO DA MORTE
APENAS MEDO DE DEIXAR DE VIVER.

tenho medo é de cumade florzinha
que suas tranças, nos meus pés, pode enrolar
me matando com seu golpe capilar
decretando o alvará da minha morte
eu prometo do caixão dar um pinote
se eu ouvir o povo, triste, chorando
quero ouvir é uma zabumba batucando
e uma mulher cheirando o meu cangote
EU NUNCA TIVE MEDO DA MORTE
APENAS MEDO DE DEIXAR DE VIVER.

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