Um novo poema meu

De um mote que eu mesmo criei:

um matuto que perde seus costumes
não merece voltar mais pro sertão

lá vai então…

acordar cedinho todo dia
botar fogo em um fugão de lenha
escutar um galo que se empenha
que em seu canto a alvorada denuncia
como eu era feliz e não sabia
e hoje sofro sem muita precisão
chega é de partir o coração
pois o cheiro do mato era o perfume
um matuto que perde seus costumes
não merece voltar mais pro sertão

tomar leite de vaca bem quentinho
esquentado por forças naturais
num curral, dar água aos animais
preparar o bizaco bem cedinho
dar alpiste e jiló a um passarinho
avistar a fartura de um fugão
esquentar o café, assar um pão
jogar carta na porta de um curtume
um matuto que perde seus costumes
não merece voltar mais pro sertão

acender a luz de um candeeiro
selar um cavalo bem selado
mostrar como é que tange o gado
a um moleque que já sonha ser vaqueiro
jogar bicho na banca de um fiteiro
tomar pinga com caldo de feijão
ver de longe a iluminação
que emana do vôo de um vagalume
um matuto que perde seus costumes
não merece voltar mais pro sertão

Ronaldo.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s