Lírio Ferreira filma legado de Humberto Teixeira


Publicado em 18.03.2008 pelo Jornal do Comércio

Autor de dois longas-metragens vistos recentemente nos cinemas, Lírio Ferreira (Cartola: música para os olhos – parceria com Hilton Lacerda –, Árido movie) voltou ao Recife para restabelecer seus contatos enquanto se prepara para iniciar a carreira de mais um documentário que dirigiu, O homem que engarrafava nuvens, cinebiografia de Humberto Teixeira, parceiro de Luiz Gonzaga.O filme sobre Teixeira foi uma encomenda da filha do compositor, a atriz Denise Dumont, que há seis anos mergulhou na obra do pai com o objetivo de tornar o acervo dele conhecido e preservado. A primeira parte do projeto da produtora foi a realização de um show no Teatro Rival (RJ), em 2002, com participação de Maria Bethânia, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Gal Costa, Sivuca, Lenine, Fagner, Zeca Pagodinho, Elba Ramalho, Sivuca, Rita Ribeiro, Carmélia Alves e o grupo Cordel do Fogo Encantado, e que resultou no CD e songbook O doutor do baião (Biscoito Fino).

A partir do fim de 2006, começaram as filmagens do documentário, que foi gravado em Fortaleza, no sertão do Cariri, em Exu (PE), no Rio de Janeiro e em Nova Iorque. A exemplo de Cartola, O homem que engarrafava nuvens deve transceder os limites do personagem e contar mais de meio século da história do Brasil.

Lírio explica que a obra foi concebida para atingir a três objetivos: apresentar ao público a figura de Humberto Teixeira, artista ofuscado pela sombra de Gonzagão, dar ao baião – ritmo que influenciou até Bob Marley e The Beatles – a verdadeira importância que tem para a MPB, além de registrar a reaproximação de Denise com a obra do pai.

O título remete a um depoimento de Teixeira durante entrevista ao pesquisador Nirez. Para ilustrar como era sua vida com a filha Denise, quando morava em uma casa em São Conrado, no Rio de Janeiro, o compositor disse: “A gente passava o dia engarrafando nuvens”.

Para o diretor, a fase mais delicada foi a de montagem do filme. “Foi muito extenuante achar um caminho”, conta. O filme, que tem direção de fotografia de Walter Carvalho, estréia nos cinema no próximo semestre.

Cumprida sua missão com o documentário, Lírio afirma que deseja voltar para a ficção, embora às vezes acredite que não raro seus trabalhos exercem papéis invertidos. O baile perfumado (1997), longa de estréia que dirigiu com Paulo Caldas, ele vê mais como documentário, e Cartola, mais como ficção.

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1 comentário

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Uma resposta para “Lírio Ferreira filma legado de Humberto Teixeira

  1. Delzomar Pereira de Macedo

    Algo precioso para nossa gente do sertão e do nosso nordeste,
    resgatar a história de um dos melhores compositor do nosso
    consagrado Luiz Gonzaga.
    Parabens.

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