CORDEL: CONSTRUINDO OUTRO DESTINO

Autor: Allan Sales
(1)
Vou contar uma história
Cem por cento verdadeira
Eu então jovem mancebo
De juventude fagueira
Iniciei meu tormento
Pois neste triste momento
Eu entrei na bebedeira
(2)
Era só por brincadeira
Dos amigos camaradas
Eu tocava violão
Para animar as noitadas
Eram alegres pelejas
Vinhos conhaques cervejas
Nas farras tão animadas
(3)
Eram tantas as paradas
E ali bem postado
Pois só sabia curtir
Se estivesse embriagado
Tal como meu pai bebia
Na mesma estrada eu ia
A tornar-me um viciado
(4)
Sem perceber-me logrado
Embarquei nesta canoa
Era alegre a boemia
Conhecer tanta pessoa
Encher a cara por nada
Curtir a turma animada
Para mim ô coisa tão boa
(5)
Mas eu ficava à toa
Fazendo minhas besteiras
Pois o bebum perde o rumo
E também as estribeiras
Discute e compra briga
Pois o álcool o instiga
A fazer tantas bobeiras
(6)
E nas farras corriqueiras
Sem saber-me compulsivo
Geneticamente propenso
A um vício corrosivo
Fui beber além da conta
A cuca pra lá de tonta
Ficava brabo e explosivo
(7)
Hoje isso eu não vivo
Procurei um tratamento
Aos 41 de idade
E vinte de sofrimento
Minha irmã me apoiou
Meu filho me implorou
Deixar o vício nojento
(8)
E assim neste intento
Fui falar com o doutor
Jorge meu psiquiatra
Que foi esclarecedor
Mostrou-me o quadro real
Deste vício bestial
Tormento de um bebedor
(9)
Meu pai foi um sofredor
Por causa do alcoolismo
Assim como avô paterno
Caiu também neste abismo
Que altera a consciência
Provoca queda e demência
E falo sem moralismo
(10)
Beber afirma o machismo
É um ato cultural
Mostrar que é cabra macho
Eu fui assim afinal
Com genética herança
Fui fundo nesta lambança
Mas nela pus um final
(11)
A luta foi crucial
Por causa do ambiente
Altamente permissivo
Aonde eu era vivente
Amigos todos farristas
Biriteiros ativistas
Cachaceiros no batente
(12)
Mesmo assim fui em frente
Da parada não corri
Rompendo com o passado
Que até então eu vivi
Tomar um outra atitude
Cuidar melhor da saúde
Opção que escolhi
(13)
E assim como parti
Em busca de uma mudança
Muita gente me tentou
Chamou de volta pra dança
Oferecendo bebida
Desgraça da minha vida
Que hoje não me alcança
(14)
A luta nunca se cansa
É permanente e diária
Ser sóbrio a cada dia
Numa luta temerária
Muita gente faz chacota
Muitos chegam com lorota
Incredulidade vária
(15)
A coragem necessária
Até hoje eu a tenho
Vejo a alegria dos filhos
Vendo meu sóbrio empenho
Melhorei a minha vida
Que hoje melhor é vivida
Com um melhor desempenho
(16)
Outro caminho eu desenho
Mas permaneço atento
Pois as tentações do mundo
Tem variado fomento
Ainda estou nas noitadas
Violas enluaradas
Meu ofício por intento
(17)
Permanecendo atento
Vigilante a cada dia
Consciente que o vício
Fez minha vida vazia
Hoje traço outro caminho
A poesia e meu pinho
São a minha companhia
(18)
Faço outra cantoria
O novo eu determino
Prosseguindo firme e forte
O que aprendi ensino
A bebida pus de lado
Sóbrio não embriagado
Construindo outro destino

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